Se eu pudesse descrever em palavras o amor que sinto pela vida, eu diria, mas o que sinto está além das palavras, além das imagens, além muito além. Dentro de mim há um universo infinito, que se revela quando estou em movimento, por isso danço por isso eu atuo !
Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida, removendo pedras e plantando flores.

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sexta-feira, 27 de maio de 2011

Spatzo (Vittorio Mayer Pasquale) - Poeta Cigano

Spatzo na língua dos Sintos Estrekárja significa "passarinho, pardal", um apelido que nos traz aquele senso de liberdade frequentemente relembrada por este poeta que, no decorrer da sua vida, conheceu momentos de intenso sofrimento. Através de suas poesias, diante das adversidades da sorte, Spatzo demonstra que soube conservar intacta aquela alma cigana, feita de coisas símples e imediatas.




  • Liberdade


Nós Ciganos só temos uma religião: a liberdade.
Em troca dela renunciamos à riqueza, ao poder, à ciência e à sua glória.
Vivemos cada dia como se fosse o último.
Quando se morre, se deixa tudo: um miserável carroção ou um grande império.
E nós cremos que naquele momento é muito melhor termos sido Ciganos do que reis.
Não pensamos na morte. Não a tememos, eis tudo.
O nosso segrêdo está em gozar a cada dia as pequenas coisas
que a vida nos oferece e que os outros homens não sabem apreciar:
uma manhã de sol, um banho na nascente,
o olhar de alguém que nos ama.
É difícil entender estas coisas, eu sei. Ciganos se nasce.
Gostamos de caminhar sob as estrelas.
Contam-se coisas estranhas sobre os Ciganos.
Dizem que leem o futuro nas estrelas
e que possuem o filtro do amor.
As pessoas não creem nas coisas que não sabem explicar.
Nós, ao contrário, não procuramos explicar as coisas nas quais cremos.
A nossa é uma vida simples, primitiva.
Basta-nos ter o céu por telhado,
um fogo para nos aquecer
e as nossas canções, quando estamos tristes.



Hom jek Sínto

Hom jek Sínto
giváva stíldo
dre i láida
mánge kók'ro.
Pijáva i líxta
fon u kam.
An u súni
kedáva u róze
an sáki gárta.
K'ráva túke króna
mit u céle stérni
fon u bolabén,
mit u céle stérni
fon u hímlo.
Dúnkel gibén
kána kók'ro hal
mit i túga
dren i tséla.
Rovéla mur gi
u frái gibén,
rovéna mar jáka.
Mit u tréni
dióm pre p'u flígi
fon jek schválba:
Den man mur frái gibén.
Mekén te meráp
tel jek tíkni tána,
har jek Sínto.



Sou um Sinto


Sou um Sinto
vivo na prisão

na minha dor.
Bebo a luz
do sol.

Nos meus sonhos
colho as flores
de todos os jardins.
Trançarei para você uma coroa
com todas as estrelas
do céu,
com todas as estrelas
do universo.

Vida obscura
quando você está sózinho
com a tristeza
na miséria.
Chora o meu coração
a vida livre,
choram os meus olhos.

Com as lágrimas
escreví nas asas
de uma andorinha:
entregue-me a minha vida livre.
Que eu possa morrer
sob um pequeno pinheiro,
como um Sinto.



U star nágli


Penéla u parmísso:
Star nágli hísle peráit
Fir ti kerén ti merél i Retáres.

Jek vintákri ciáj dikjás,
Forpái ap i hígla,
Har giálesli ap u drom fon u vélto.

Jek kórkoro ciordásli,
U kurmáskro na haiciardáspes.

Unt Jov viás kiáke nágaldo.
Mit trin nágli ap u kráizo.

U stárto náglo ciás i sinténgro gi
mit i láida fon u Retári.

Penéla u parmísso. 



Os quatro pregos


Diz a lenda:
Quatro pregos eram forjados
para fazer morrer o Redentor.

Viu-os uma filha do vento
que atravessava a colina
no seu caminhar pelas estradas do mundo.

Um apenas subtraiu,
que o soldado não percebeu.

E Ele assim foi crucificado,
com tres pregos somente.

O quarto prego comungou a dor
dos Sintos ao Redentor.

Diz a lenda.



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